
A rosa, em minhas crenças pessoais, tem especial significado. A busca da sabedoria, do elevado conhecimento e da iluminação; o desabrochar da consciência.
O Nome da Rosa foi um projeto que começou, novamente, com uma competição, dessa vez no site Venus febriculosa. Tentei o máximo que pude entregar minha arte em tempo mas esbarrei em alguns obstáculos e não consegui. Mas segui em frente, determinado a terminar o que havia começado.
O Nome da Rosa em literatura e filme
O romance de Umberto Eco se passa no ano de 1327, considerado como o começo do Renascimento. Eco se utiliza de contextos reais da época para narrar seu “romance policial”, tendo como personagens principais William de Baskerville e Adso de Melk, tentando resolver uma série de crimes que ocorrem numa abadia no Norte da Itália, onde existe uma sinistra conexão entre a biblioteca e as mortes, ainda que os monges acreditem se tratar do fim dos tempos previsto no Livro das Revelações.
Sou um apaixonado pelo livro e pelo filme, admito sem pudores. O filme é uma produção ítalo-franco-germânica dirigida por Jean-Jacques Annaud e lançada em 1986. Sean Connery interpreta William de Baskerville e o então adolescente Christian Slater, Adso de Melk.
Contudo, a direção de arte deste filme, assinada por Dante Ferretti é a coisa mais bela da obra cinematográfica. O cuidado extremo em caracterizar a Idade Média é algo impressionante. Algumas cenas internas foram filmadas na bela Abadia de Eberbach, localizada na Alemanha (o website oficial da Abadia oferece um tour virtual com lindos panoramas de 360°). Para as cenas externas e algumas internas, Dante fez com que construíssem uma abadia nos mínimos detalhes.
Inspiração musical
Assim como no poster CVLPATVS, a inspiração musical para este projeto veio dos Cantos Gregorianos. Comecei procurando cantos sob domínio público e encontrei quatros belas peças, que, com a ajuda deu meu amigo Luiz Pereira, pude saber quais são. Não tive dúvidas que “Kýrie, eléison” era a música mais inspiradora para esta arte; linda harmonia vocal. Pena eu não saber quem é o artista.
As imagens
A rosa, em minhas crenças pessoais, tem especial significado. A busca da sabedoria, do elevado conhecimento e da iluminação; o desabrochar da consciência.
O que eu precisava para concretizar minha idéia era achar uma imagem descente de um livro. Uma que representasse dignamente o século XIV. Eu não aceitaria quebra-galhos..
Numa manhã durante o projeto, acordei lembrando da Biblioteca Mundial Digital e, mais precisamente, do Codex Gigas (já escrevemos sobre ela num artigo anterior).
O Codex é a própria Bíblia, escrita em latim. É chamado de Gigas porque é gigante: tem 89 cm de comprimento por 49 cm de largura e pesa aproximadamente 75Kg. Está sob a guarda da Biblioteca Nacional da Suécia. Guardado em local apropriado com atmosfera e demais condições controladas, este livro não está aberto a visitações.
E foi pra a Biblioteca que me dirigi virtualmente, entrando em contato com a Jurista do Departamento Jurídico, Frida Petersson. Ela foi muito atenciosa e me concedeu permissão para uso da imagem tornando possível que eu encerrasse este episódio da saga iniciada em fevereiro.