Sébastien Auguste Sisson nasceu em Issenheim (comuna da região de Alsácia) em 2 de maio de 1824. Foi um desenhista, litógrafo e caricaturista com experiência adquirida em Paris. Especialista em retratos, fixou ateliê no centro do Rio de Janeiro em 1852. Sisson também era conhecido como S. A. Sisson e Sebastião Sisson.
Trabalhou para importantes revistas da época. Dois de seus trabalhos são especialmente apreciados: Álbum do Rio de Janeiro Moderno, com doze cromolitografias e Galeria dos Brasileiros Ilustres (Volumes I e II, reeditados pela Biblioteca do Senado Federal), onde Sisson apresenta litografias dos homens mais ilustres do Brasil na política, ciências e letras daquela época acompanhadas de autógrafo e de nota biográfica de cada personalidade. Esta obra foi redigida em fascículos a partir de 1857.
Sébastien Auguste Sisson, foi discípulo de Rosé-Joseph Lemercier (1803-1887), considerado um dos mais célebres impressores-litógrafos da Paris de meados do século XIX.
Em maio de 1882 o governo brasileiro nomeou Sisson Cavaleiro da Rosa, devido aos serviços gratuitos prestados à Biblioteca Nacional na restauração de numerosas gravuras prejudicadas pelo tempo e pelas traças.
Foi por meio da litografia que Sebastién Auguste Sisson desenvolveu seu trabalho artístico. Trata-se de um processo de impressão inventado em 1796 por Alois Senefelder (1771 – 1834), dramaturgo da Baviera que buscava um meio econômico de imprimir suas obras dramatúrgicas.

Alois Senefelder, 1818. Litografia de Lorenz Quaglio
A invenção da litografia ocasionou uma verdadeira revolução nos meios artísticos do século XIX. A possibilidade de reprodução de imagens tanto na arte como na imprensa permitiu que um maior número de pessoas pudesse ter acesso às criações e fez com que a informação, ao assumir uma linguagem visual, se tornasse mais densa em conteúdo e forma. Este momento é hoje conhecido como “a era da reprodutibilidade técnica”.
A litografia é um processo de gravura em plano, cuja matriz é executada sobre pedra calcária porosa – a pedra litográfica. A pedra pode, também, ser substituída por uma placa de metal (em geral zinco ou alumínio).

O processo baseia-se no fenômeno de repulsão entre as substâncias graxas e a água. A impressão é feita através de um desenho executado sobre a matriz com um material gorduroso – o lápis litográfico – sendo a pedra ou a chapa molhada e em seguida entintada com uma tinta graxa que adere somente ao desenho. O papel umedecido é aplicado sobre a matriz e pressionado com uma prensa especial, para fazer a impressão final.
O filme “Goya’s Ghosts” apresenta lindamente o processo de impressão como era feito antigamente. Francisco de Goya (1746 – 1828) foi um dos artistas que utilizaram a litografia.
Rosé-Joseph Lemercier era dono de uma oficina de impressão litográfica inaugurada em 1826 considerada uma das melhores em Paris.

Rosé-Joseph Lemercier, Paris 1800-1857. Litografia de Achille Devéria
Lemercier era também conhecido pelos novos processos e inovações técnicas que havia desenvolvido, incluindo um método de aspersão de lápis litográfico em pó sobre uma pedra quente para então trabalhar com um pincel ou um carimbo a fim de obter tons delicados para céu e água.

Interior da oficina litográfica de Lemercier
Os impressores alemães lideraram a litografia em cores e o impressor francês Godefroy Engelmann patenteou um processo chamado cromolitografia em 1837. A cromolitografia foi a mais importante técnica de impressão em cores até o surgimento da impressão offset.

Vista do Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1862. Litografia de Sisson
Sisson fixou oficina litográfica no Rio de Janeiro em diversos endereços no Centro da cidade tendo recebido em 1866 o título de Litógrafo Imperial.
Sua Majestade o Imperador atendendo ao que lhe representou S A Sisson, estabelecido com litografia a Rua da Assembléia número sessenta. Há por bem conceder-lhe licença para alçar as armas imperiais na frente do edifício de seu estabelecimento com a Legenda – Litógrafo e Desenhador [sic] da Casa Imperial [...]. Palácio do Rio de Janeiro em 12 de junho de 1866.
Nas palavras de Machado de Assis, em 1889:
A propósito de algumas litografias de Sisson, tive há alguns dias uma visão do Senado de 1860. Visões valem o mesmo que a retina em que se operam. Um político, tornando a ver aquele corpo, acharia nele a mesma alma dos seus correligionários extintos, e um historiador colheria elementos para a história. Um simples curioso não descobre mais que o pinturesco do tempo e a expressão das linhas com aquele tom geral que dão as coisas mortas e enterradas. [...] Um dia vi ali aparecer um homem alto, suíças e bigodes brancos e compridos. Era um dos remanescentes da Constituinte, nada menos que Montezuma, que voltava da Europa. Foi-me impossível reconhecer naquela cara barbada a cara rapada que eu conhecia da litografia de Sisson [...].
Sisson cessou sua atividade em 1876 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 8 de fevereiro de 1898.
Acho fantástico o trabalho em litografia e xilografia e esse parente (qual é o grau de parentesco?) parece que foi um artista fera mesmo. Vi os trabalhos dele em Álbum do Rio de Janeiro Moderno.
Christian está descobrindo de onde vem seus dotes artisticos. Bjs.
Oi Lúcia! Ele é bisavô do meu avô (pai da minha mãe). A irmã desse meu avô ainda está viva, agora com 95 anos. Bárbara montou um blog da família que tem informações sobre ele. Ele era bom mesmo, muito bonito o trabalho.