No dia 20 de abril, com grande prazer e euforia, fui convidado por Regiane Barros, idealizadora e produtora cultural do Jacarepaguá Cultural, a dar uma entrevista sobre minhas criações digitais para a recém inaugurada seção do website Jacarepaguá é Arte. A entrevista foi publicada dia 22 de abril.
As perguntas chegaram e foi a hora certa para o retrospecto do meu caminho de vida nesta última década.
Aqui coloco a entrevista na íntegra, com um agradecimento especial à Regiane.
Nome, idade, bairro onde mora e formação.
Me chamo Christian Sisson, tenho 34 anos e moro em Jacarepaguá. Minha formação é em Medicina Veterinária, com Mestrado na área. Atualmente sou diretor de arte, artista digital e desenvolvedor web do Sisson Studio.
Como iniciou sua carreira?
Tortuosamente.
Graduado em 1999, Mestrado concluído em 2002, profissão abandonada em 2003.
Desde então fui modelo fotográfico, figurante de comerciais, filmes e televisão, comecei curso de teatro, fui auxiliar administrativo e baixista de banda de rock (lançando até CD, veja você!).
Em finais de 2004, Bárbara, designer graduada e então minha namorada, viu uma oportunidade de ter seu próprio negócio incubado no Instituto Gênesis da PUC-Rio, bem na época do boom de incubadoras no país. Fui chamado pra sócio, para cuidar da parte administrativa e financeira da empresa, chamada Artevisivo, somando mais essa atividade à lista.
Em 2007, já morando juntos, resolvemos largar a empresa e trabalhar em casa.
Até então tudo ia mal pra mim, pois eu havia ficado perdido na vida, novamente. Vindo de criação militar rígida e intransigente, aprendi a estagnar na vida e castrar as escolhas que me beneficiam, trocando uma vida próspera pela auto-agressão. Em casa, não havia liberdade de escolhas, mas apenas o cumprimento dos caprichos militares em regime de prisão domiciliar semi-aberto. O resultado disso nunca foi dos melhores.
Mas, na 2ª metade do ano de 2007, para me ocupar, resolvi começar um blog sobre design (que acabou virando nosso site) e ajudar Bárbara no design dos clientes.
Sempre fui autodidata, curioso, fuçador de coisas e criativo, com bom senso estético. Já sabia mexer no Photoshop desde a versão mais tosca do software e tinha feito algumas manipulações digitais para projetos da nossa empresa.
O passo seguinte foi aprender os demais softwares gráficos, estudar gerenciamento de cor, paginação etc. Sem grana, consegui emprestado alguns endereços de email para poder estudar 7 dias de graça por cada email cadastrado no lynda.com.
Acabei, invariavelmente, fazendo a direção de arte dos projetos, criando identidades visuais, papelaria, brochuras, fotografando para compor layouts etc., essas coisas corriqueiras dos estúdios de design.
Mas foi em 2008, 5 anos pós-veterinária, que surgiu a oportunidade de criar um poster para um concurso na Bélgica. Daí não parei mais. Criamos o Sisson Studio nessa época e daí comecei a produção de arte digital.
“Trabalho é o amor feito visível.”, frase do livro O Profeta, de Khalil Gibran. É por ela que me guio nesta vida.
Por quê artes digitais?
Não há um porquê exatamente. Por ser uma pessoa prática me identifiquei com o mundo digital desde o primeiro PC 486, comprado pelo meu irmão em 1994. Eu não saberia, neste momento da vida, criar minhas artes no mundo físico. Já até tentei, porém, com resultados desastrosos.
Como é seu processo de criação?
Inspiração e intuição; um tema para trabalhar; uma tela em branco no computador; uma música que permita os sentimentos saírem e serem incorporados à arte.
Minha arte é imensamente inspirada por música e quase sempre gira em torno de temas polêmicos em minha vida. Em ‘Round midnight coloco arte e música de inspiração lado a lado. É assim que fazemos também nas exposições; o visitante vê a arte enquanto ouve a música.
Como exemplo prático, posso citar a arte CVLPATVS – “Culpado” em latim. Nesta peça escrevo em pergaminho meu testemunho de vida, admito minhas culpas e recebo das pessoas suas acusações. Componho a peça com rostos da minha infância, formando um rosto adulto semi-morto, aguardando a sentença final de culpado e a aura da absolvição. Foi uma forma de purificação e ascenção.
O tema, a música e a imensa depressão estavam lá para me auxiliar. Foram semanas despendidas montando tudo, com a música Miserere mei Deus nos fones de ouvido sem parar um minuto sequer.
No Flickr é possível ver a arte em maiores detalhes e o testemunho em português.
Cada arte leva um pedaço de mim, do que é e foi minha vida. Sempre que as vejo e ouço a música, os sentimentos voltam: a leveza de uma alma em processo de cura; a raiva contida; o peso do mundo.
Com quais áreas artísticas trabalha?
Não me limito a nenhuma porque meu objetivo maior é colocar o que preciso para fora. E, com esse objetivo em mente, posso seguir qualquer área. A limitação viria apenas da habilidade com as ferramentas do processo.
Como é o mercado?
Aberto e aquecido. A internet é bem democrática e não é necessário ter 20 anos de carreira e contatos com galerias de arte para ficar famoso. Porém, é também efêmero. Grandes frustrações podem advir dessa efemeridade se o artista seguir o caminho da expectativa de aceitação.
Com 5 minutos de busca na internet pode-se notar que tem é muita gente criando por aí. Contudo, poucos seguem o caminho da arte propriamente dita. Muitos criam composições digitais extremamente habilidosas, mas que seguem tendências estéticas e não tem nada de pessoal impresso no trabalho. Ficam vazios. Sem sentimento. Isso fica mais para design gráfico que arte digital.
Onde tem mais receptividade?
A maioria das visitas que recebo nas artes é do Brasil, mas a maior receptividade vem de outros países. Comentários, compartilhamentos, pedidos para utilização das artes em websites, convites para enviar a arte para grupos e por aí vai.
Onde já apresentou?
No ano passado, é que resolvemos expor as artes. Primeiro foi na Expo-Shout, no Santo Cristo. Depois veio o convite para expor na Universidade Estácio de Sá em Jacarepaguá e, por último, o convite para expor no ARAKA, na Gávea. Todas essas experiências foram ótimas!
Há venda das artes?
Minha arte reflete sentimentos guardados, traumas antigos e questionamentos eternos, e, por isso, não vinha vendo a situação pelo prisma financeiro.
Daí que fui premiado pela Hugo Boss e pintou uma grana. A idéia comercial surgiu.
No final do ano passado eu fui convidado a vender minhas artes no artflakes, da Alemanha. Ainda estou organizando meu perfil e preparando uma divulgação bacana. Estamos pesquisando a venda no Brasil e bons prospectos começam a surgir.
Todas as artes que expusemos na Estácio de Sá e no ARAKA, estão à venda, emolduradas e com vidro anti-reflexo. Mais informações sobre elas nesta página. Dá pra vê-las emolduradas neste álbum.
Por enquanto vendo as artes sob encomenda. O interessado pode escolher a arte e o tamanho que quer. Imprimo, emolduro e entrego. Basta entrar em contato comigo.
Trabalha com algo a mais que as artes?
Certamente. Temos os projetos de design aqui do Studio. Ultimamente tenho estado bastante focado em desenvolver websites. Descobri que tenho bastante jeito pra coisa e ótimos projetos tem aparecido.
Fora do Studio sou sonhador profissional, pensador e questionador incansável e aspirante a astronauta e jazzista.
Quais perspectivas para o futuro?
Exposições e arte sob encomenda.
Bárbara está a todo vapor com exposições de arte e está me colocando na linha de tiro.
Adicionalmente venho prospectando minha arte comercialmente. Capas de livros, capas de discos para artistas, posters de filmes e até mesmo websites podem ser veículos dessa arte.
O que diria a aqueles que pretendem enveredar por essa área?
Caiam dentro sem medo. Basta ter coragem para colocar os sentimentos, sofrimentos e questionamentos pra fora e ter alguma habilidade com as ferramentas.
Como contactá-lo e que tipo de serviços oferece?
Minha arte digital é multi facetada.
Posso combiná-la com design gráfico, web design ou fotografia; ela pode ser inspirada por música ou não; posso trabalhar como diretor de arte ou com retoque de imagens. As possibilidades são numerosas. E sob este ponto-de-vista eu não me limito a nenhum campo específico da criatividade, mas estou sempre aberto a novas possibilidades.
Topo projetos freelance, contratos de longo prazo ou trabalho em conjunto com outros Studios ou times de criação.
Pelo email
é contato certo. Como sou uma criatura noturna (não é a toa que meu site se chama ‘Round Midnight!) respondo sempre a partir da tarde até o alvorecer :)
Onde está sua obra? Apenas na internet ou há algum espaço de visitas? Tem um espaço próprio de apresentação?
Na internet sempre!
- ‘Round Midnight, repositório definitivo.
- No Flickr, as imagens em melhores detalhes.
- O processo de criação de algumas artes podem conhecidos no blog do Studio.





